quinta-feira, 7 de abril de 2011

Aos dedos relativos, a inclusão digital


A sociedade da informação encontra-se em processo de formação e expansão, já que a sociedade, e não somente a pós-moderna, se caracteriza por um elemento não estático, mas de constante mutação. E as novas tecnologias desempenham, aqui, e hoje, a função de principais responsáveis pela aceleração da sociedade nesse processo de mudança. Mas como se dá a adaptação do homem a esse novo paradigma de sociedade e a sua forma de concebê-la nesse ínterim? Seria essa adaptação e inserção direcionadas ao bem comum ou a uma origem discriminatória?

A formação da sociedade da informação está intrinsecamente ligada ao advento da internet, a qual surgiu a partir de pesquisas militares durante a Guerra Fria, sendo também, de acordo com o sociólogo espanhol, Manuel Castells, “acima de tudo, uma criação cultural”. Desse modo, com o surto da internet aos contingentes mundanos afetando de diversas maneiras as sociedades presentes nos mais variados países é que podemos traçar, exatamente nesse ponto, as formas como a internet atinge as classes sociais estabelecendo seu próprio consumo, suas diferenças e, muitas vezes, suas semelhanças e até mesmo sua exclusão.

Os jovens pertencentes às classes A e B, por exemplo, são mais sintonizados à internet do que, não somente, às gerações anteriores pertencentes a essas mesmas classes, mas também a sua mesma geração, entretanto, pertencida à classes diferentes. Fato ocorrente devido à maior influência de poder aquisitivo e, consequentemente a isso, à facilidade de acesso, qual pode ser estabelecido até mesmo via celular. Os adultos também em seu ambiente de trabalho, qual a internet é característica fundamental, não se limitam mais ao universo do seu bairro e dos seus amigos. Porém, a democratização do acesso às tecnologias da Informação não deve ocorrer somente em nível privado, mas também em esferas municipais, estaduais e federais englobando o cidadão em sua mais tenra ou obsoleta idade, de forma a ascender a inclusão digital (ou infoinclusão) permitindo a inserção de todos nesta vigente sociedade.

Como visto acima, a exclusão digital é, muitas vezes, arremetida pela exclusão sócio-econômica, sendo que a primeira é fator enraizante da segunda. A inclusão digital deveria ter destinação orçamentária, sendo, nesse argumento, fruto de uma política pública, promovendo ações inclusivas e niveladoras, no que diz respeito ao oferecimento de oportunidades a todos os cidadãos- principalmente, os de baixa escolaridade, baixa renda, com limitações físicas e idosos. A sociedade carece também de uma ação prioritária destinada às suas crianças e seus jovens, em vista de uma próxima época por esse conjunto de cidadãos.

Mas, é importante pontuar que aquele que apenas utiliza a internet e seus palheativos, como todo o mundo virtual, para a troca de emails, buscar no Google, ou loggar no Orkut não é um incluído digitalmente, uma vez que este usufrui desse suporte para melhorar as suas condições de vida.

Entretanto, para que se promova a inclusão digital é importante que se haja educação, já que o processo de ensino como forma de promover a educação continuada deve instaurar em suas planilhas a inclusão digital como elemento essencial deste processo. O ensino é primordial, pois não basta o cidadão possuir um computador conectado à internet, este fato não faz dele um incluído digitalmente; mas o domínio dessas ferramentas- computador e acesso a rede-, sim.

A melhoria de renda, o suporte à educação, bem como tornar disponíveis equipamentos à população devem ser atuações prioritárias elaboradas por parcerias entre governos, empresas privadas, organizações não governamentais (ONGs), escolas e universidades visando o estímulo de ações de inclusão digital, como a disponibilização do acesso a terminais de computadores e correio eletrônico a toda a população, o oferecimento de tarifas reduzidas para uso dos sistemas de telecomunicações e a criação de mecanismos de isenção fiscal para o recebimento de doações de computadores e equipamentos de infra-estrutura.

Vemos assim, que a ação de inclusão digital deve se firmar pela participação conjunta da sociedade funcionando como uma espécie de backbone, uma espinha dorsal, a se caracterizar como a infra-estrutura que conecta todos os pontos de uma rede, mas se caracterizando aqui como conjunto dos trabalhos relativos a tudo o que compreende as fundações de uma ação, de uma obra, de um empreendimento a conectar pessoas e, especialmente, construir nas vias-férreas da educação a inclusão social e redistribuição de renda permitindo assim acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s).

Alanna Sartori Messora

(Jornalismo MAT- 5° período)

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