segunda-feira, 4 de abril de 2011

Cibercultura, trabalho, lazer e sociabilidade em ambientes digitais

Novas tecnologias de comunicação têm sido responsáveis por dar maior mobilidade e extensão à Cultura.

Anualmente, desde 1984, a cidade californiana (EUA) de Monterey sedia o Technology, Entretainment and Design (TED), conferência de profissionais ligados a tecnologia, entretenimento e design. O evento, que dura quatro dias, leva à comunidade ligada às novas tecnologias apresentações de 50 profissionais (18 minutos cada), para exporem novos projetos e ideias inovadoras.

Entre toda a miríade de conteúdo produzido, em geral dando origem a amplo acervo do Youtube, destacam-se projetos com tecnologia Touchscreen. Ao contrário do que se pensa, essa já é uma tecnologia utilizada em estabelecimentos comerciais de países de primeiro mundo.

Estas novas possibilidade de interação homem-máquina serão responsáveis por avanços significativos em diversas áreas. Entre delas, e talvez uma das mais favorecidas, o Entretenimento. Embora ainda não tenhamos, de maneira concreta, os benefícios do avanço de interfaces de toque, já podemos perceber a importância da simbiose entre ambientes digitais, lazer e tempo livre, com apenas um retrospecto breve.

Fenômeno super explorado, de 1999, o Napster (primeiro programa de compartilhamento massivo de mp3 através de tecnologia ponto-à-ponto - peer-to-peer) foi responsável pelo desencadeamento de uma corrente avassaladora de ideias e tecnologias hoje amplamente utilizadas na internet. O que começou como uma possibilidade de tempo livre, a troca de músicas em ambientes digitais hoje é o principal gatilho de mudança estrutural, e ideológica, de toda a indústria fonográfica.

O Napster é apenas o exemplo inicial de um novo modo de vida. Gerações recentes são criadas sobre a lógica dos ambientes digitais. Esta lógica sociocultural é definida por muitos como Cibercultura. O pesquisador brasileiro André Lemos, em seu artigo “Cibercultura, alguns pontos para compreender a nossa época”, define melhor o termo como sendo “a forma sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base micro-eletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70”.

E vem do próprio pesquisador (no mesmo artigo) uma passagem que permite reflexões mais amplas sobre influências de novas tecnologias na configuração do Trabalho e do Lazer: “As práticas comunicacionais da cibercultura são inúmeras e algumas verdadeiramente inéditas. Dentre elas podemos elencar a utilização do e-mail que revolucionou a prática de correspondências pessoais para lazer ou trabalho”. Bem, situemos a frase em um contexto onde Lemos discorre a respeito do surgimento das novas tecnologias de comunicação na institucionalização de práticas sociais fundamentais.

A troca de correspondências sempre existiu como um mecanismo social. O que Lemos chama atenção é para a possibilidade de indivíduos utilizarem um mesmo suporte com, ao mesmo tempo, fins de Trabalho e Lazer. Ao entrar em um sistema de e-mails, o usuário se vê em um micro-ambiente onde é permitido a troca correspondência entre contatos profissionais ou pessoais. Muitas vezes, devido à linguagem peculiar de tal meio, as duas esferas se misturam. Textos de e-mail permitem uma liberdade linguística, e social, muitas vezes não permitida em relações face-a-face em ambiente físicos de trabalho.

Ainda é possível, ao usuário, ao mesmo tempo em que se corresponde com contatos profissionais, navegar por ambientes digitais de entretenimento. O sistemas de Janelas, do amplamente utilizado Windows, permite que percebamos a configuração de uma nova rotina de trabalho, que se apropria de mecanismo de rompimento com a relação espaço-temporal, permitindo ao usuário, ao mesmo tempo, localizar-se fisicamente em locais de trabalho, mas desenvolver atividades típicas do tempo livre (troca de correspondências com amigos, por exemplo).

Esta mesma lógica também está presente em situações contrárias. Com as tecnologias Wi-fi, que permite ao usuário a conexão sem fio, temos a possibilidade de a qualquer momento desenvolvermos atividades profissionais em ambientes externos ao local de trabalho.

A cibercultura coloca questões sobre vários aspectos da vida social. Apropriemos do conceito de Sociabilidade, proposto por Simmel, como uma associação pura e simples, sem interesses que não o da própria associação. Esta lógica está claramente perceptível em mecanismo peculiares da internet. A blogosfera, os programas P2P (como MSN e Google Talk) e sites de relacionamento são os espaços comuns mais utilizados por usuários, que, na maior parte das vezes têm, como objetivo central, a prática da associação por ela mesmo. Pense no site Orkut, uma imensa rede de relacionamentos, em que usuários sociabilizam em torno de comunidades ou de maneira pessoal. É neste contexto que temos uma possibilidade incisiva de manifestação de intersubjetividade, facilmente associada às características do Espaço Público, proposto por Habermas. O espaço livre é apropriado por agentes sociais que o utilizam para manifestarem suas opiniões (também podemos encontrar neste mesmo espaço a Opinião Pública) de maneira organizada podendo, muitas vezes, levar a deliberações concretas no mundo real.

A sociabilidade e formação de “ambientes-comuns” no mundo virtual, embora seja uma prática nova (por estar ligada ao surgimento da informática), apoia-se em um pilar extremamente antigo, a escrita. Se pensarmos que culturas antigas estendiam-se no tempo e no espaço, sobrevivendo a gerações futuras, percebemos claramente a importância da escrita. O que percebemos hoje, é claro, não é o fim da utilização da escrita como meios de subsistência cultural, mas sim a reconfiguração da redação textual levando ao hipertexto, e assim ao diálogo entre diferentes culturas.

Sejamos mais claros. O texto, como está estruturado em ambientes digitais, é apresentado sobre um suporte telemático como parte integrante do conteúdo de um documento de proporções globais. A utilização de links (em documentos html, xhtml, xml) possibilita diálogos infinitos, ligando assim, documentos diversos sobre assuntos extremamente diferenciados. Ao navegar pela internet, o usuário encontrará N números de possibilidades. Daí, temos a conexão entre práticas culturais documentadas em ambientes digitais por meio da sociabilidade. Ao produzir/ler conteúdos sobre outras culturas que não a sua, o usuário pode agir ativamente, respondendo, ou produzindo conteúdo sobre sua própria cultura.

Assim, os mecanismos de sociabilidade (textuais) em ambientes digitais não só podem garantir o registro e a sobrevivência de culturas, mas dar à elas um caráter de maior extensão e mobilidade.

Esvaziamento do real

Por Rayane Ferreira Carvalho

A era tecnológica e todas as novidades que aparecem a todo minuto, nos fazem refletir e criar explicações concretas sobre o que é real e o que é virtual. As duas linhas de comunicação estão cada vez mais interligadas, formando assim um paralelo onde não sabemos mais o que é real e o que é virtual. Nossos sentidos se confundem e nossa visão muita das vezes não sabe distinguir o verdadeiro.

De acordo com Pierry Lévy a contemporaneidade é caracterizada como um momento de mutação do processo de hominização, sendo o desenvolvimento da linguagem um aspecto essencial deste processo. Contrapondo Lévy, o pensador Baudrillard defende o ponto de vista de que vivemos o fim da era moderna e do projeto de uma comunicação racional, onde há o predomínio da absorção dos conteúdos sobre a valorização das formas.

Baudrillard em seus questionamentos e afirmações nos faz pensar, sobre o que o virtual tem feito e influenciado na nossa vida, no que é real, no que realmente é verdadeiro. Como Baudrillard, penso que os sentidos estão perdendo o seu valor, o gozo em contemplar uma conversa em corpo presente, sentindo o calor humano esta se perdendo em meio a tecnologia e no mundo virtual. A era da comunicação virtual é o fim da era da comunicação propriamente dita, vivenciada pelos nossos avós e pais. Tudo é absorvido e consumido por nós como um espetaculo, somos em vários momentos incapazes de viver experiências reais, tudo ou quase tudo é vivenciado antecipadamente de forma virtual, exemplo disto são as fotos dos pratos ja prontos nas receitas tiradas na internet e expostas nos rótulos do produto, antes mesmo que comermos ou fazermos a comida desejada, vivenciamos ela na foto.

Desta forma fica o questionamento: o que realmente é real?

A Rede Social

“A Rede Social” é um filme biográfico que aborda a história de Mark Zuckerberg, um jovem estudante de Harvard que após o término de seu namoro começa a trabalhar em um site com rankings sobre seus colegas da faculdade. Então os irmãos Winklevoss (gêmeos), têm a ideia de criar um site de relacionamento para os estudantes de Harvard, então eles contratam Zuckerberg como programador de tal site, porém ele altera o projeto e amplia esta rede social para qualquer pessoa que recebe um convite.
Como não tem dinheiro para manter o “The Facebook”, consegue uma ajuda de custo com seu amigo, o brasileiro Eduardo Saverin que financia o começo do site. O site então adquire um sucesso instantâneo e passa a se expandir para outras faculdades e grupos sociais. Quando Mark , viaja para os Estados Unidos à trabalho, conhece Sean Parker o criador do Napster e a partir de então o “The Facebook” é financiado por este milionário da internet. Que também cria oportunidades para que Mark conheça pessoas e crie contatos para que esta rede social consiga “viver com as próprias pernas”.
Com esta junção, o sócio brasileiro acaba sendo passado para trás por Sean e Mark, assinando um contrato que lhe dá direito a menos de 1% de todas as ações do “The Facebook”. O filme então termina em um tribunal, onde Eduardo e os gêmeos que deram a ideia inicial do site processam Zuckerberg.


** Como cena marcante do filme aponto a hora que os gêmeos percebem o que Zuckerberg fez com sua ideia, na hora em que recebem um convite para participar do “The Facebook”. **

Luíz Eduardo - 5º Período

Lévy e o universo em expansão

Lévy e Baudrillard conceituam a comunicação virtual de forma totalmente antagônica. Enquanto um entende que a sociedade virtual é como um universo em expansão – tendo a comunicação como universo –, o outro acha que o virtual causa um “esvaziamento do real e o fim da comunicação”. Entendo que cada teoria tem os seus prós e contras, mas acho que Lévy está mais certo quando conceitua o virtual.
Pois desde o avanço desta tecnologia, a comunicação é feita de formas nunca antes imaginadas, a informação é transmitida com uma velocidade surpreendente, que ajuda na expansão e na compreensão da comunicação. Concordo quando Lévy diz que o virtual é como um exercício de criatividade que garante a permanência dos processos comunicacionais.
Assim como Lévy, acho que a partir do momento em que o homem começa a se comunicar, sendo através da produção de textos, da fala ou outras formas a comunicação tem esta característica de sempre procurar novos sentidos e o virtual contribui para este processo continuar a funcionar

Luíz Eduardo - 5º Período

Inclusão digital

Atualmente, a sociedade necessita de adaptar-se as novas formas de relacionamento, juntamente, com as mudanças que a cercam. Assim, é preciso que saibamos ter discernimento para entrarmos nesse aspecto.
O mundo digital iniciou-se, e com ele, trouxe novas formas de relacionamento dos indivíduos. As novas tecnologias que chegaram, trouxeram dificuldades para os que não conseguiram entrar na nova "onda", os deficientes mentais, físicos, e a população de baixa renda.
Inicialmente, os que entraram, foram fortemente beneficiados. Porém, hoje não ter acesso a digitalização é atraso social. Então, os "excluídos" desse meio passaram a encontrar uma nova forma de se encaixar na novidade, denominada inclusão digital.
Mas dar acesso a essas pessoas não é apenas entregar-lhes um computador com internet. É preciso aulas de informática, técnicas, e principalmente, incluí-los nessa rede, com sites de relacionamento, blogs, bibliotecas online e etc.
Espero que os projetos para tal resultado, como o Telecentro e o Projeto de Inclusão Digital Muito Especial, continuem a dar a devida assistência aos necessitados dessa tecnologia, que hoje, é fundamental para o reconhecimento social.


Por Victoria Acerbi

Inclusão digital

Levy x Baudrillard

Como já foi visto, a cibercultura é a nova relação existente na sociedade, do indivíduo com as novas tecnologias, e como isso acontece. A comunicação passa a ser então feita por um novo meio de comunicação, a internet, então caracterizada como ciberespaço.
Pierre Levy analisa o termo "virtual" como um espaço real. Porém, não podemos estudar numa biblioteca virtual e folhearmos os livros, pois não é palpável, é o mundo virtual, que acontece após a tela do computador, que é a parte que podemos utilizar o tato para a transição do real para o virtual. Interpreta o virtual como exercício da criatividade e a garantia da continuidade dos processos de comunicação.
Baudrillard acredita que o virtual é o esvaziamento com o real, o fim da comunicação.
Concordo com Baudrillard pois quando temos uma conversa no msn, por exemplo, não sabemos as reações, as expressões do outro indivíduo. Além disso, o bate-papo pode acontecer com uma pessoa completamente inventada, construída, virtual. Por isso, o virtual se opõe sim ao real, pois perde as relações palpáveis, de carne e unha, de intensidade.
Por outro lado, Levy está certo ao dizer que é a garantia da permanência da comunicação, mesmo que de forma diferente e superficial, é comunicação, é interação. Tudo tende a mudanças, tudo mudará e nós devemos estar abertos as novas formas de relacionamento.

Por Victoria Acerbi